29.6.12

Verão

Troca o tédio pela aventura. Troca os dramas pelos cabelos ao vento. Troca a regularidade pelos amores de verão. Troca a chuva pelos escaldões. Troca o choro pelos copos. Troca o sorriso pelas gargalhadas. Troca tudo pelo verão. 

27.6.12

Abraço


Que nunca o abraço se possa comprar, pois é ele o melhor que se pode dar.
Que nunca quem abraça seja apenas os braços, que se toquem com os dedos todos os traços.
Que seja quem abraça também abraçado, que seja o abraço o lugar de todo o lado.
Que se brinde ao corpo, à festa e ao sim, e que ninguém se conforme com o assim-assim.
Que se dancem as dores, que se lambam as feridas, e que todas as lágrimas sejam meras recaídas.
E que se erga um castelo de arfares, e que se construa um orgasmo de amares.
E que eu seja o por dentro de abraçar, o bastidor de sonhar- e que eu seja o viver e nunca o restar.
Que seja quem ama o dono dos meus braços, pois é no meio deles que me uno os pedaços.
Que nunca o abraço se possa comprar, pois é ele o melhor que se pode dar. 


Pedro Chagas Freitas

18.6.12

Colo da cama


Meio copo de vinho vazio ao jantar. O par de dança ideal e ao amanhecer, um casaco masculino sobre as costas e os pés doridos a caminhar a calçada. O dobro da noite no início da manhã. Um café quente aos lençóis e o teu corpo no colo da cama. Vestir a tua camisola larga, grande e ficar-me meio vestido por não saber a onde pára a minha roupa.

3.6.12

Dobro


Chove lá fora e os cães ladram lá ao fundo. O relógio brilha a cavalgar as horas da madrugada. Eu moro sozinha neste lado da cama e a almofada do outro, a substituir o teu corpo. A chuva abrandou e de forma irregular batem gotas contra a minha janela. O som estremesse o silêncio do quarto e todo o medo da minha alma. Não há nada pior que chegar à noite e não ler um reconforto teu. Não há nada pior que não ser amado ao anoitecer. Já passou da 01:34 da manhã. Já são o dobro. Deixa me adormecer no teu ombro, ou melhor na almofada que personifica o teu corpo. É só mais hoje. 

2.6.12

Asiática


Ninguém representa melhor o romantismo moderno que tu. Só em ti reconheço esse mistério desigual. Tu levas-me a quebrar contigo as regras clássicas e eu nada temo. Ver que o teu olhar procura o desafio dos meus lábios é a profecia para a minha alma. Os teus olhos ganham uma forma asiática quando sorris. E sorris em segredo, eu sei. 

1.6.12

Dançar

"Dançamos vezes sem conta com parceiros cujo passo não acertamos, cujas pisadelas são constantes, cuja profundidade musical não combina connosco e cuja dança nos tira a liberdade, aperta e oprime, sem nada nos acrescentar. Só quando aprendemos a confiar em nós, a não ter medo de mostrar verdadeiramente quem somos, aquilo que sentimos e o que mais gostamos de fazer, quando deixamos de querer mudar o outro e percebemos que afinal ele é apenas o veiculo para a nossa própria mudança, podemos deslizar pela imensa sala que é a vida, e, então sem que seja preciso procurar, encontraremos quem - não por necessidade mas sim por querer - aceite dançar uma verdadeira dança a dois"
Maria José Costa Félix