23.7.11

Íngreme estrada

Não parei se não meia hora adiante quando já não conseguia mais. Subi toda aquela íngreme estrada. Levei com muitos cães a atirem-se aos portões e a ladrar insuportavelmente aos meus ouvidos. Balançava os pensamentos na mesma linha torta em que eu caminhava, com as pedras a tropeçarem nos meus pés ou os meus pés a tropeçarem nas pedras. Não havia passeios pós delineados e a berna da estrada era o meu trajecto que levarme-ia até à casa dele. Só já pensava na dor que os meus pés me iam matando na caminhada, no calor que me ia sacrificando o esforço e no arrependimento que se ia antecipando à chegada. Atravessei muitos pátios onde as velhas se reuniam ao sol para falarem da vida dos outros e eu era agora o novo tema de conversa, a estranha que subia a ingreme estrada. O meu cansaço comoveu-me e pensei na minha sobrevivencia, fiz um desvio e vi o tempo a passar. 

4 comentários:

  1. este texto pareceu-me tanto um pedaço da minha vida.
    mais uma vez, completamente adoravel. desde a historia á escrita

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  2. wow, identifiquei-me MESMO muito o:
    o texto está lindo, lindo!

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  3. está lindo, escreves tao bem *.*

    http://laydxinha.blogspot.com

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  4. '' Balançava os pensamentos na mesma linha torta em que eu caminhava, com as pedras a tropeçarem nos meus pés ou os meus pés a tropeçarem nas pedras. '' Adorei!

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