30.7.11

Saudades tuas

-Tiveste saudades minhas?
-Da tua voz e daquele calor suado pelos nossos corpos.
-Aquele calor...
-E tu tiveste saudades minhas?
-Porque?
-Eu também preciso de ouvir isso, porque às vezes é bom saber que há isso do outro lado.
-Não tens como saber.
(adaptado de algo de bom)

Chegada

Já falta pouco, muito pouco. E eu bem sei que andas a pensar em cada pormenor da minha chegada, em cada linha dos nossos beijos, em cada olhar apaixonante, em cada segundo que vai matar os anos perdidos. Por isso, podes continuar a imaginar-me ai porque chegarei entretanto.

Trazias o Sol na mão



De Tavira à Ericeira, de Moledo a Odeceixe.
Procurei-te a vida inteira, se te encontrar não me deixes.

Do Meco à Carrapateira, da Zambujeira ao Malhão.
Esperei-te a tarde inteira, trazias o Sol na mão!

Do Guincho a São Julião, passando por Porto Côvo.
Se não te encontrar de novo, levo-te no coração

26.7.11

Verdade

Lá por teres contado só agora a verdade não quer dizer que não leves com as consequências, porque pior que a verdade são mesmo as mentiras que se criam para a encobrir. Por isso, já é tarde de mais.
Se tenho dúvidas? Muitas. Uma delas é que se me irei apaixonar outra vez,

25.7.11

Fechado e aberto

Falamos um com o outro com palavras objectivas e sentimentos frios. Falamos de coraçao fechado e consciencia aberta. Porque? Porque nenhum de nós quer dizer o que sente porque mudaria tudo. Assim pensamos duas vezes por cada palavra dita. E estamos bem assim, com as nossas irónicas conversas de meio minuto e com os nossos corações sobressaltados durante estes anos todos. 

23.7.11

O que será

Será que há amor singular? Será que quando se luta já sozinho ainda há amor? Será que apenas é amar por um amor que se já se teve e que se queria voltar a ter? Sao todas perguntas retóricas. Entretanto se passas por mim a revolução começa entre a cabeça e o coraçao. Se não lhe chamo isto de amor então não sei o que será.

Íngreme estrada

Não parei se não meia hora adiante quando já não conseguia mais. Subi toda aquela íngreme estrada. Levei com muitos cães a atirem-se aos portões e a ladrar insuportavelmente aos meus ouvidos. Balançava os pensamentos na mesma linha torta em que eu caminhava, com as pedras a tropeçarem nos meus pés ou os meus pés a tropeçarem nas pedras. Não havia passeios pós delineados e a berna da estrada era o meu trajecto que levarme-ia até à casa dele. Só já pensava na dor que os meus pés me iam matando na caminhada, no calor que me ia sacrificando o esforço e no arrependimento que se ia antecipando à chegada. Atravessei muitos pátios onde as velhas se reuniam ao sol para falarem da vida dos outros e eu era agora o novo tema de conversa, a estranha que subia a ingreme estrada. O meu cansaço comoveu-me e pensei na minha sobrevivencia, fiz um desvio e vi o tempo a passar. 

13.7.11

Fode

-Fá-lo comigo
-Dizem que a primeira vez nao é com a pessoa que amamos entao eu nao o quero fazer contigo.
-Ninguém morre virgem, a vida fode-nos a todos.

7.7.11

Cidade


Era a cidade que nós conhecemos. Entardeceu a noite e ela escondeu todas as nossas esquinas calorosas sobre as luzes controversas. A cidade reduzia-se e enquadrava-se no vidro do meu carro e ia correndo a km/h. A estrada é justa, insegura e temida, e o carro perde-se nos medos da alta velocidade. Os meus pensamentos fugem como o banco do carro foge do meu assento. Coloco firmes os pés ao chão e resistentes  as mãos na porta. Luto com o cinto de segurança pela minha sobrevivência, luto por viver mais uma esquina da nossa cidade.

Agradável

-Amo-te pita.
-És um agradável mentiroso.
-Sou verdadeiro quando te digo que me és muito.
-E quando é que estiveste comigo completamente sóbrio para eu saber se isso não são palavras roubadas à erva?

Debaixo da epiderme


Qual de nós não esconde ai, debaixo da epiderme, entre os ossos e os músculos, vinculado no sangue, um amor? Só que muitas vezes tem-se colesterol e é dificil encontrá-lo. As doenças matam, o amor escondido consome.