18.4.11

No vinte e nove


Sabia que ele a esperava no número vinte e nove.
Descendo a rua deu consigo com os olhos presos aos números das portas e ia fazendo a contagem decrescente de cabeça. Cinquenta e cinco, cinquenta e três, cinquenta e um. Quase lá. Sentia um aperto no peito, enjoada. Quarenta e sete, quarenta e cinco. O andar já ia muito depressa. Trinta e nove, trinta e sete. Os cotovelos iam ocasionalmente roçando contra a bacia, as mãos inchadas e suadas. Trinta e um, vinte e nove... Estática. O cansaço roubara-lhe um sorriso cabisbaixo. O olhos presos à tal porta, o coração eloquente e o corpo a desejar o sujeito daquela casa. 

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