13.7.10

Refresh of memories


Deixei-me cair na cadeira e olhava fixamente o vazio. O corpo desajustado tentava-se encaixar entre as formas do encosto e do assento. Cruzei os braços frente ao peito. Tinha o ar abstraído, vagamente atónito. Um olhar desconcertante. Perdi as minhas coordenadas. O corpo estava ali, mas a minha mente viajava.
Com fugaz sentido de superioridade elevei-me até ao ridículo ponto auge dos meus pensamentos, e então com a mesma rapidez, senti-me uma idiota. A mente, consciente ou subconsiente, censurava-me ao mesmo tempo que invocava imagens que pareciam ter um registo permanente. Pressentia a voz (dele) a denunciar cada traço daquela nitidez perfeita.
O córtex cerebral ressuscitava mortos. Ardia com desejo ansiosamente por toda aquela nitidez das memórias. O desespero alojou-se na minha garganta. Lutei comigo contra mim mesma. Era todo o meu ecossistema fora dos eixos. 
A mente venceu. Foi a conquista recente da liberdade das memórias do passado.

13 comentários:

  1. essas memórias vencem sempre !

    ResponderEliminar
  2. eu só vi abocado também. Está lindo.

    ResponderEliminar
  3. penso que houve uma falha de comunicação entre nós, diferentes interpretações x)

    ResponderEliminar
  4. LOL ok ainda bem que gostas
    não significada nada em concreto , são apenas as letras que ele mais gosta de desenhar ;)

    ResponderEliminar
  5. que texto mais perfeito, marie!
    adorei mesmo. com certeza, ja te estou a seguir (:

    ResponderEliminar
  6. oh shit! li cinco vezes pa te entender e adorei o resultado ahah*

    ResponderEliminar
  7. obrigado maria! deixas-me sempre sem jeito.
    e aqui está a prova como consegues fazer das palavras uma coisa bonita.

    ResponderEliminar
  8. ele faz-me escrever estas coisas +.+

    ResponderEliminar
  9. Obrigado minha querida <3

    ResponderEliminar
  10. Obrigada :)
    A vida é uma luta constante entre nós e a nossa mente, as nossas memórias.
    Para seguir em frente é preciso olhar com coragem para o futuro mas também para o passado, para aquilo que vivemos.
    Também estou a seguir*
    Beijos

    ResponderEliminar

Deixa o teu primeiro impulso deslizar pelos os dedos.