25.4.10

“É uma palavra bonita, mágoa. Sabe a lágrimas silenciosas, a noites de insónia, a manhãs de domingo solitárias e sem sentido. (…) Está para lá da tristeza, da saudade, de desejo de lutar pelo que se já perdeu, da raiva de não ter o que mais se queria, da pena de ter deixado fugir um grande amor, por ser demasiado grande.”

“Vai meu amor, vai que o amor tem que ter asas para poder voar, tem que ter portos para se abrigar, tem que ter distância para saborear, tem que sentir a ausência para se poder dar. Vai com cuidado nessa tua busca de ti mesmo e nunca te esqueças que podes voltar e que cá estarei à espera, não sei se para te amor, mas para te receber com o meu coração e a minha cabeça. E quando regressares, promete-me que e trazes um presente, feito de saudades e desejo que alimente este meu coração cansado mas nunca esquecido do teu cheiro e da tua dor.”

“(…) dizes-lhes que não estou, que me fui embora há muito tempo, entrei-te para o sangue e vivo dentro do teu corpo, alimento-me da tua carne e adormeço todas as noites na tua alma.”

Margarida Rebelo Pinto, In "As crónicas de Margarida"

19.4.10

No lugar onde um dia me deixaste

Aproxima-te e senta-te ao meu lado.
Oferece-me um cigarro e acompanha-me.
Deixa que o fumo que sai dos nossos cigarros nos envolva num ambiente que me faça sorrir, pela cumplicidade fantasmagórica.
Se, como por hábito, não quiseres falar, então por mais uma vez, deixa que o silêncio reine.
Não me beijes.
Não me toques.
Não me seduzas.
E depois de acabarmos os nossos cigarros, permanece junto a mim. Desfruta do vento que sopra e faz cantar e mexer as velas dos moinhos, maravilha-te com a simplicidade da modéstia da paisagem que nos rodeia, enquanto que eu procuro na tua alma onde guardas o meu amor por ti e o meu sorriso verdadeiro, que um dia me levaste.
Mas és inacessível, incompreensível e inatigível.
Por isso,
             Dá-me o meu sorriso de volta,
             Pega nas minhas lágrimas e vai-te embora.

13.4.10

Have you ever tried sleeping with a broken heart
Well you can try sleeping in my bed
Lonely, only, nobody ever shut it down like you

Alicia Keys

11.4.10

Vem e sente o sol

Bate-me o sol na cara, o verão já se faz sentir no suor que sai pelos poros, na boca seca e no vento quente que embala os meus cabelos. Odeio esta melodia de sensações quentes e possuidoras de memórias tuas e recordações nossas.
Por isso,
Vem e afaga-me e aumenta-me o calor,
Vem e humedece-me a boca com o teu sabor,
Vem e brinca com o meu corpo e com os meus cabelos e não deixes que a natureza o faça por ti,
Vem e revive em mim aquelas tardes quentes de Agosto em tua casa, as gargalhadas no teu sofá e o estado de espírito quente.
Se não quiseres vir por covardia, então deixa-me dizer uma coisa, apenas para ver se a saudade desse tempo não te enlouquece a alma e as memórias não te brincam na cabeça:
LET THE SUN SHINE ON YOUR FACE!

9.4.10

Apetece-me correr, correr contra todos os ventos, correr contra o tempo e correr até te encontrar. Pegar em ti, fechar-te os olhos e levar-te até ao último local que nos viu ser pela última vez cúmplices.
Depois punha-me em bicos dos pés e calava-te a boca com um beijo louco e prolongado, quebrar-te-ia a respiração e deixar-te-ia sem fôlego. Colocar-te-ia as tuas mãos geladas a percorrer o meu corpo e a arrepiar por mais uma vez a minha alma. Não deixaria que o silêncio fosse quebrado por palavras, apenas reinaria o silêncio.
No final de tudo isto, ir-me-ia embora, como tu o fizeste tantas vezes comigo, já que ires-te embora é o que sabes fazer de melhor.

Ficarias impune a este gesto?

1.4.10

Silêncio ensurdecedor da tua ausência

Quando o sol dá lugar á lua, o silêncio ensurdecedor da tua ausência sufoca-se num grito desesperado que sai pela minha boca e é abafado pela almofada.

Dói, dói quando chega a noite e o escuro do meu quarto envolve-me e vejo o teu, as tuas paredes, a tua cama, as tuas mobílias, os teus patéticos ursinhos… Depois sinto a ti, ao teu corpo enroscado ao meu.


Agora dói-me a voz de tentar gritar em surdina,
Dói-me a cabeça já farta de pensar em ti,
Dói-me os ouvidos de ouvir o teu silêncio ensurdecedor,
Dói-me o corpo da fadiga,
Dói-me a alma da ferida que não sara.

Porque não falas? Para quebrar assim o gelo do silêncio?
Nem que seja para dizer um “NÃO!” ou um “Acabou tudo, não vale a pena lutares!”.
Não achas que tornaria as coisas mais simples?
Não é que eu goste de coisas simples, mas sobre isto seria o melhor.
Para mim, que de certo modo abrir-me-ia os olhos, e para a ti, que era uma forma de te livrares de mim!