11.1.10

Arrependimento

      O vento sopra lá fora com tanta força que consigo ouvir o seu ruído aqui bem de perto. A sua força é extrema que perfura todos os buracos e chega até mim gélido e rigoroso, estremecendo o meu corpo frágil. A roupa que trago vestida não chega para me proteger contra este vento horroroso. Então mais uma vez desejo-te, para que estivesses aqui e que cobrisses com os teus braços robustos e fortes e que tu me protegesses.

      Por mais que me mentalize que nunca virás, a cabeça entra em guerra como coração, porque quer seguir em frente e para isso precisa de levar o coração com ele. O meu corpo não pode seguir em frente deixando para trás o coração e a alma.
      O tempo vai passando e são muitos os ventos que gelam o meu corpo e outras tantas chuvas que ainda mais me humedecem a cara.
      Apoderado pelo frio o meu corpo fica morto balançando nas águas, deixando-se levar pela corrente.
      Não sei onde estou, não sei o que faço aqui, não sei o que quero, não sei se te amo, só sei que vivo uma vida sem lógica e sentido. Vida essa melancólica e monótona, onde a felicidade já existiu, mas agora só existe saudade e arrependimento de um dia ter te amado.
      Posso ter sido feliz contigo, mas esses momentos felizes não equivalem nem apaziguam estes momentos menos bons e solitários.

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