18.12.09

Contra tempos

       Não durmo de noite ficando a olhar a escuridão pensando em ti e adormeço de dia sonhando contigo.
       Podia simplificar as coisas e chegar aqui e escrever apenas que “te amo”, mas convenço-me que ao escrever-te tu me ouves de outra maneira, ouves-me distante mas sentida e sincera, ficando naquela expectativa de saber se um dia aqui vens e lês aquilo que te escrevo com amor.
       A verdade é que quando estou ao teu lado o medo do embaraço da ansiedade dá cabo de mim e troca-me as palavras, o sentido das frases… Por isso são muitas as vezes que quando me apetece chegar ai, ao teu ouvido e dizer-te tudo, sai frases frias, irónicas e arrogantes. Não é que eu as queira dizer, mas é mais forte que eu, isso eu juro-te. E depois vem o estúpido e ordinário do arrependimento que não é bem interpretado.
      Gostei de te voltar a ver, de voltar a sentir-te junto ao meu corpo, de te sentir nos meus lábios. Gostei tanto de te ter por momentos que não quero que me deixes agora.
      No entanto já é tarde, já passou muito tempo. Tu já seguiste com a tua vida e eu tento seguir com a minha. E estes nossos reencontros se calhar são apenas contra tempos, mas de facto eu encostei-me a ti, abracei-te e voltei a beijar-te naquela noite sem sequer pensar ao certo no que estava a fazer. Confesso-te que me apeteceu e senti que não havia nenhuma razão para não o fazer, tendo pessoas que estavam comigo naquela noite a desincentivar-me.
      E no fim de tudo, no fim dessa noite, adormeço com o arrependimento ao meu lado, contigo no meu pensamento, e ainda, que por incrível que pareça, com o teu cheiro nas minhas mãos.

14.12.09

Contraste

      És tão diferente de mim, que estranhamente essa diferença me atrai.

      Então aí estás tu, com esse teu ar de rapaz despreocupado, confiante e rebelde caminhando com o teu andar inconfundível que te caracteriza, contrastando com o meu espírito oposto ao teu.

      Sempre foste louco, e admiro-te por isso. Estupidamente, essa tua loucura latente deu á minha alma um conforto e uma segurança desconhecida a que eu não estava habituada.
      E ontem voltei a sentir esse estado, quando por momentos se reavivou tudo na minha alma, quando essa tua loucura voltou a tocar-me no meu interior. Foi tudo muito rápido, foram meros segundos ou instantes, mas foi intenso, falando da minha parte. Foi um beijo pouco demorado e louco, louco porque para além de quebrar esta minha saudade pôs em questão o meu sentimento que eu pensava que estava a morrer com o passar do vento.

      Este nosso acto louco pode nos ter aproximado mais ou mesmo afastado. Pode ter sido um impulso do sentimento que ainda predomina em nós ou então o “último beijo”, o beijo que termina esta nossa história. História essa que se calhar já está mais que acabada, mas eu sou ingénua demais e continuo a iludir-me.


(…)