27.11.09

As memórias e as Recordações

      São tantas as vezes que procuro imagens tuas, fotografias nossas, e é durante essas vezes que se aviva na memória tudo o que um dia fomos. Mas, agora tudo esta arrecadado na gaveta do passado, infelizmente. Tudo o que me resta são sonhos que vou sonhando de uma realidade impossível de alcançar e perfeita de mais para a vida que levo.

      Dizem que nada dura para sempre, muito menos namoros de adolescência. Mas sinceramente o que os outros dizem não me interessa, mas sim o que ainda me arrepia o corpo e me perturba a alma. E, que por mais estranho que pareça este sentimento continua forte, parecendo que essa força que existe nele existe não para que eu continue com a minha vida em frente mas sim para ficar, lutando contra o tempo que vai passando, e lutando aqui no mesmo lugar onde tu um dia me deixaste.

      Teimo em ficar á tua espera, não por ter esperanças porque essas já as perdi há muito tempo, mas teimo em ficar porque te amo e só agarrada às memórias é que consigo viver.

      As memórias ou seja as fotografias são objectos mentirosos e ilusionistas porque as suas personagens demonstram um felicidade e uma paixão que na maioria das vezes vai desaparecendo com o passar do vento.

      Então, ali estamos nós os dois sentados numa mesa de café, cúmplices no olhar e trocando gestos. Mas, mas e agora? A fotografia permanece igual, e nós personagens dela, vivemos uma realidade oposta á que está representada.

      Por isso é que me agarro às memórias, porque não alteram o seu estado tal como a minha alma e o meu coração.
(...)

Sentimentos deixados pelo tempo

      Passa uma leve brisa da noite pelo meu corpo e deixa-o arrepiado, fazendo com que eu ainda te deseje mais para que estivesses aqui, ao meu lado.

      Este vento leve que continua a passar na minha cara lembra-me quando tu, delicadamente, me passavas com a tua mão no meu rosto, contornando todos os meus traços e depois me beijavas, de forma apaixonada, creio eu.
      Foi como se tudo, todos os sonhos, os momentos vividos e os projectos a dois, me fugissem das mãos ou que delas esbarrassem. Que toda a pura felicidade que um dia alcancei contigo, simplesmente desaparecesse e desse lugar á tristeza, á saudade e á impotência. Que todas as memórias caíssem ao mar e ficassem nas profundezas dele, sem eu puder chegar a elas, para um dia voltar a vive-las intensamente contigo.
      Ao frio que agora se faz sentir não só no corpo, mas também na alma dá cabo de mim e deixa-me á tona neste profundo mar da paixão, onde um dia mergulhei nele sem a mínima hesitação.
(…)
      Senti durante meses que nada foi mais certo nem verdadeiro, e um dia, esse sentimento escapou-me da vida, escorregando como água por entre os dedos, fugindo para sempre.

      A tua ausência tomou-me os dias, e todos os dias tento e aprendo a viver com ela.
      Existiu sempre dentro de mim uma força que me movia, uma vontade, um sentimento em construção que me fazia feliz. Agora foi como se me roubassem essa força pura e única, e me deixassem á tona numa maré turbulenta sem salvação á vista.
(...)